maternidade casulo

Pensar em filhos e gravidez é imediatamente pensar em um mundo todo novo e encantado, seja ele rosa ou azul. Durante a preparação do enxoval, idealizamos uma rotina perfeita, com algumas noites sem dormir, mas nada que saia do nosso controle. Afinal, quem nunca passou noites sem dormir antes da maternidade? Podemos ler sobre o assunto, mas nunca saberemos a realidade sem vivenciar de fato.

Costumo dizer que a maternidade se parece com um casulo. A mudança que vivemos após a maternidade é surpreendente e ninguém escapa dela. Ninguém sai ileso à maternidade. Mas a transformação é imensamente gratificante.

Se eu pudesse descrever com uma única palavra o que eu mais senti nos primeiros meses, essa palavra seria solidão. Engraçado pensar em solidão quando estamos 24 horas por dia acompanhadas. Mas é uma solidão que apenas quem passou por isso consegue entender, é profundo, intenso e até um pouco insano. Nesse momento, parece que nenhuma pessoa do mundo está se importando com você.

No dia seguinte que minha filha nasceu, minhas amigas deixaram de me ligar. A minha rotina mudou completamente: de um dia para outro, deixei de ir ao salão, deixei de receber os amigos em casa, deixei de ir à academia, deixei de cozinhar como sempre gostei. Meu corpo estava transformado, meus cabelos estavam caindo. Eu fiquei transtornada com o excesso de sono. Estava claro que isso iria acontecer, mas eu não tinha ideia do quanto isso causaria de impacto na minha vida. Em meio a tudo isso, eu sinceramente não conseguia pensar racionalmente sobre o que estava acontecendo.

Eu pensava que deveria estar feliz e grata por ter uma filha linda, perfeita e com muita saúde. Mas eu chorava muito. Chorava porque sentia dor para amamentar, porque meus peitos estavam sempre ingurgitados, porque não tinha ninguém para me escutar. Chorava porque tinha medo. Chorava até mesmo sem motivo aparente e não conseguia entender por que uma gravidez tão planejada estava causando tantas mudanças na minha vida.

Ter apoio do marido alivia tudo isso, mas a transformação para a mulher é incomparável. O marido pode ajudar a trocar as fraldas, mas não pode amamentar. O marido pode acordar na madrugada, mas jamais entenderá o turbilhão de emoções do baby blues. Ao entrar nesse casulo, tenha consciência que nenhum casamento sairá como antes. A liberdade nunca mais será a mesma. As preocupações também serão diferentes (e potencializadas). Nossas prioridades nunca mais serão as mesmas.

Eu decidi que tinha que ser leve. Não me transformei de um dia para outro. Mas posso dizer que essa é uma decisão diária. Agora, sou responsável por outra vida e mais do que isso, sou responsável por um ser humano em formação, com toda amplitude que isso significa.

Liz é publicitária, empresária e mãe da Maria Eduarda. Ama blog, decoração, viagens, reciclagem e festas. Apaixonada pelo marido e pelo Johnny Boy, o baby de 4 patas.