Cama compartilhada

Quando estava grávida, muitas pessoas me viam arrumando e planejando o quarto da Duda e diziam que ela dormiria mesmo  no meu quarto. Eu sempre dizia que não concordava com bebê na cama porque eu tinha medo de sufocamento e que eu não me sentiria a vontade para dormir com ela na minha cama. Por incrível que pareça, ainda me sinto assim.

Duda nasceu e na maternidade já vi leite escorrendo pela boquinha. Sem nem pensar na hipótese do refluxo, a enfermeira disse que era líquido amniótico (oi?) e levou a pequena para aspiração. Chegamos em casa e vi novamente leite escorrendo pela boquinha. Nesse momento, entendi que era refluxo. Ela dormia em um moisés, do lado da minha cama. Em duas situações, ela engasgou com esse refluxo enquanto eu dormia. Ouvi o barulho e fui socorrê-la.

Nem tudo acontece como planejamos. Muitas vezes, esse refluxo vinha depois de 1 ou 2 horas das mamadas. E a quantidade foi aumentando a medida que ela passou a mamar melhor. Como ela tinha APLV, eu imaginava que fazendo a dieta restritiva, esse refluxo iria passar. Não aconteceu. Com isso, ela foi crescendo e eu não tive coragem de dormir em quartos separados. Em algumas noites, ela acordava engasgada.

Para que ela pudesse ficar no meu quarto, comprei um berço portátil e assim ela ficou dos 30 dias a 5 meses. Eu jamais havia dormido com ela na cama e morria de medo. Ela alcançou o peso máximo permitido para o berço portátil, era inverno e ela ainda tinha refluxo. Nesse momento, escolhi colocar a Duda na minha cama. Ela ainda acordava muitas vezes e percebi que assim ela dormia melhor.

Comprei uma cama King Size. Ela dormia no lado encostado na parede. Eu dormia no meio e meu marido na ponta. Eu e ela não usávamos cobertas. Assim ficamos até ela completar 2 anos. Com essa idade, ela passou da ponta para o meio e voltamos a usar cobertas.

Em alguns momentos tentei colocar Duda no quarto dela, na cama dela. Chegamos a conversar e a redecorar o quarto para que ela se motivasse a dormir lá. Mas isso não aconteceu. Quando coloco ela no outro quarto, ela acorda a cada 30 minutos. Em nome das minhas noites de descanso, continuamos com a cama compartilhada. Mas, confesso também, que sinto falta da minha pequena do meu lado quando ela vai dormir na casa da vó. A dependência também é minha.

Quando ela vai para o quarto dela? Não sei. Por mim, ela tem as portas abertas do meu quarto até quando ela quiser.

Liz é publicitária, empresária e mãe da Maria Eduarda. Ama blog, decoração, viagens, reciclagem e festas. Apaixonada pelo marido e pelo Johnny Boy, o baby de 4 patas.