Dona de casa e mãe

Cada vez mais vejo mulheres que pensam que liberdade é trabalhar muito, ter sucesso financeiro para ir onde quiser, comprar a roupa que quiser e repudiam muito do que é tarefa do lar. Mas você faz o que? É dona de casa? Sou sim. Posso ser dona de casa e escolher cuidar dos filhos. Posso ser dona de casa e escolher trabalhar fora também. Posso ser dona de casa e ponto. Casei, sou dona de casa. Moro sozinha, sou dona de casa. Tenho que ser. Essa é uma escolha que fazemos quando decidimos assumir o nosso lar. A verdade é que liberdade é respeitar cada momento e cada escolha que fazemos.

Acredite, as escolhas são de cada uma de nós mulheres. Minha mãe, apesar de sempre ter trabalhado muito, fez questão que eu tivesse o mínimo de noção sobre como me virar em todos os aspectos. Tive livros, mas também tive uma infância rodeada de bonecas, assim poderia viver na prática tudo o que eu lia nos contos de fada e romances. Escrevi em muitos cadernos, mas também fiz muita comidinha imaginária em panelinhas divertidas e assim pude desenvolver coordenação e criatividade. Sempre amei casinhas de boneca e ainda assim amo redação. Vivendo, não é difícil perceber que uma coisa não exclui a outra.

O casamento não é a sentença de viver apenas para limpar a casa e lavar pratos. Tem muita coisa boa para viver e compartilhar, eu garanto. Sim, eu adoro cozinhar e deixar tudo arrumado quando recebo os amigos em casa. Mas também posso pedir delivery quando quero passar um domingo todo de pijamas.

Não precisamos acreditar em contos de fada, mas lá no fundo todas nós queremos alguém para compartilhar as alegrias e os tombos da vida.

Acredite, poderia eu mesma abrir a porta do carro. Aliás, posso ir dirigindo o meu próprio carro, se eu quiser. Poderia escolher o meu vinho, pensar exclusivamente no que eu gosto para jantar. Poderia almoçar todos os dias no restaurante da esquina do trabalho. Mas eu gosto de ter companhia, de fazer a comida com meu tempero, de ver o sorriso da minha família todos os dias. Sim, eu amo cavalheirismo, educação, uma certa dose de romantismo e boa companhia.

Posso indicar uma ótima costureira, mas se o botão da minha camisa preferida cair na hora de sair, não preciso trocar de roupa, resolvo rapidinho com uma agulha e uma linha, daquela forma antiguinha e única que minha vó me ensinou. Infelizmente hoje vemos muitas mulheres desdenhando de tudo que se refere à casa, comida e casamento, se achando independentes, mas quando saem da casa dos pais ao menos sabem segurar uma vassoura. E garanto, o caminho é muito mais difícil. Na verdade, essa independência toda é o maior conto de fadas que existe, achando que nunca vai precisar lavar um copo.

“Se cuida” nunca foi “eu te amo”. Aliás, pode ser “até nunca mais”. Saudades são só memórias do que passou, foi bom, mas acabou. Não é preciso enxergar amor em coisas mínimas. Amor de verdade completa. Não precisa sofrer com mensagens visualizadas e não respondidas. Não precisa ver se a pessoa está online e não está falando com você. Acredite que a vida pode ser bem melhor que somente independência financeira. Isso é importante, mas saiba que há liberdade em arrumar a casa quando quer, cozinhar quando quer, passar uma roupa preferida que amassou no cabide. Liberdade é viver cada etapa da vida de forma feliz e plena. É se dedicar aos filhos quando for esse momento. É se dedicar à casa quando for esse momento. Todas nós podemos viver nossos contos de fada. Sempre vale a pena.

Liz é publicitária, empresária e mãe da Maria Eduarda. Ama blog, decoração, viagens, reciclagem e festas. Apaixonada pelo marido e pelo Johnny Boy, o baby de 4 patas.