Logo que o bebê nasce, não é só a vida que muda completamente. Parece que vem junto um choque de realidade. E culpa. Muita culpa.
Eu sabia que teria noites em claro, mas não que seriam tantas e tão exaustivas. Eu sabia que a amamentação seria difícil no começo, mas não tinha ideia que eu choraria de dor cada vez que ela começasse a mamar. Eu não sabia o que era baby blues e não imaginava o porquê me sentia tão sensível. Eu achava que rotina era coisa fácil de se adaptar, mas a verdade é que já foram 3 anos e não conseguimos ainda ter isso em casa.
Eu achava que poderia sair passeando com o sling toda livre, mas já no hospital a pediatra me disse que eu não poderia sair enquanto ela não tomasse as primeiras vacinas (como não pensei nisso antes?). Então, mesmo que em algumas fotos eu tenha parecido arrumada, a verdade é que eu passava a maior parte dos meus dias de pijamas, com uma olheira enorme, um pacotinho no colo e tentando comer/tomar banho/fazer xixi entre mamadas, trocas e sonecas.
Junto com isso vinha aquela sensação de culpa. Culpa por não estar na pracinha dando banho de sol com outras mães perfeitas, culpa por preferir assistir um filme ao invés de ler Pequeno Príncipe para uma bebê. Culpa por não conseguir fazer ela dormir a noite toda. Culpa por ter comido alguma coisa e ter dado cólica. Culpa por ter recebido alguém resfriado em casa. E mil outras culpas que rondam a nossa mente o tempo todo!
Hoje posso dizer que sinto saudades. Não posso dizer que teria feito diferente, simplesmente porque não fiz. Fiz tudo o que consegui fazer para dar amor e tranquilidade para a minha filha. E isso já é o mundo.

Liz é publicitária, empresária e mãe da Maria Eduarda. Ama blog, decoração, viagens, reciclagem e festas. Apaixonada pelo marido e pelo Johnny Boy, o baby de 4 patas.