Sim, eu tive sangramento no começo da gravidez. Na verdade, esse não é um post que eu gosto de escrever, foge até um pouco da proposta do blog. Mas vi que tem muitas grávidas que ficam desesperadas por isso. É motivo de preocupação sim, mas confie sempre no que o seu médico de confiança tem a dizer.

Desculpe o post longo, mas achei importante colocar cada detalhe aqui: desde o sangramento, o péssimo atendimento do hospital particular, a atenção e confiança do meu GO.

É claro que essas coisas nunca acontecem em dias normais, né? Eu estava de 7 semanas e na madrugada de sábado para domingo de carnaval eu fui no banheiro e percebi que o papel ficou rosinha. Isso aconteceu por mais 3 ou 4 vezes. Eu ia no banheiro e voltava para a cama. Estávamos no rancho e tínhamos muitos convidados. Então, resolvi manter a calma, não falar nada para ninguém e ficar em repouso. A madrugada foi longa e no outro dia de manhã contei para o marido o que tinha acontecido. Então, em pleno domingo, decidi ligar para o meu GO. Como não tinha tido nada de sangramento, era o só o papel rosinha, ele pediu para ficar em repouso e, se acontecesse de novo, era para ligar.

O dia passou tranquilo e na madrugada apareceu o sangue rosinha de novo. Esperei amanhecer e liguei de novo para o GO. Ele então disse que seria importante fazer um US de emergência para ver o que estava acontecendo. Só tinha um lugar fazendo esse US em pleno carnaval: um hospital que não é credenciado do Bradesco Saúde. Mesmo assim, achei melhor ir, fazer tudo no particular e depois pedir reembolso. Para fazer o ultrassom, seria preciso passar pela consulta com o GO da emergência.

Logo que cheguei no hospital peguei o papel de atendimento prioritário e sentei para esperar ser chamada. Aí começa a saga. Chegou um moço com um guardanapo enrolado na mão e a atendente passou na minha frente (desde quando um marmanjo com uma mini queimadura é mais grave que uma grávida sangrando?). Já fiquei indignada, mas continuei firme e o forte. Depois, fiz a ficha e o GO da emergência me chamou.

O médico que me atendeu fez umas piadinhas nada engraçadas sobre estar grávida e foi me examinar. De repente, ele me diz: você está tendo um aborto! Na hora eu fiquei indignada. Eu não tinha tido um super sangramento, era um rosinha no papel. Como poderia estar tendo um aborto se  pelo US de 5 semanas o SG estava com implantação fúndica (viva as aulas de embriologia da primeira faculdade)? Eu disse assim: vim aqui só porque meu médico quer ver um US, faz logo esse pedido! Ele perguntou quem era o meu médico e eu falei. Depois ele me disse assim: não, não é um aborto, é um pólipo! Pediu para eu ficar tranquila, que não tinha problema nenhum, era só um pólipo e que o colo do útero estava fechado. Também disse que só faria o pedido do US porque eu estava insistindo (e pagando por ele, claro!).

Fiquei umas 2h em repouso esperando pelo US. Nessa hora lembrei que eu estava com fome. Já era 14h e eu só tinha jantado um dia antes. Tudo bem. Até que o médico do US chegou e foi me atender.

Já vi que não daria certo quando ele começou a fazer o US por cima (caramba, eu estava só de 7 semanas!). Depois, por baixo, depois por cima e eis que ele solta a pérola: Está tudo muito esquisito por aqui, vai se preparando para o pior que aqui não tem embrião nenhum. Saí arrasada da sala US, peguei o laudo e fui falar com a minha prima que tinha acabado de sair do plantão do PA e estava me esperando (pena que ela é plástica e não podia fazer nada por mim naquele momento). Entreguei o laudo para ela e foi ela que ligou para o meu médico. Eu nem quis fazer isso. Meu médico pediu para eu ficar em repouso absoluto.

Eu e marido voltamos para o rancho e ficamos em repouso-depressivo o resto do dia. Minhas amigas iam toda hora levar comida para mim. À noite meu médico me ligou dizendo que o GO da emergência tinha ligado para ele e explicado a situação, então era para eu ficar tranquila, que provavelmente o sangramento era do pólipo e para ligar para ele caso tivesse alguma coisa. Assim foi o resto da terça-feira e da quarta-feira de cinzas. Tudo bem cinzento. Eu, marido e Johnny Boy voltamos para casa na quarta.

Na quinta-feira de manhã o médico ligou de novo perguntando se tinha algum sangramento. Eu disse que não. Desliguei o telefone, fui no banheiro e vi um sangue tipo borra. Liguei para ele e ele pediu para ir no consultório que tiraria o pólipo, para eu ficar mais tranquila. Ele tirou o pólipo e não cauterizou para evitar contrações. Me explicou que qualquer sangramento naquele momento seria por isso. Aí sim eu vi sangue o resto do dia, usei até absorvente. Ele mesmo marcou um US para o dia seguinte.

No dia seguinte fui cedo fazer o US. E foi a primeira vez que ouvi o coração da minha Maria Eduarda. O médico deixou eu escutar bastante e fez as medidas, o CCN estava com 13 mm (como o médico do US da emergência não viu 3 dias antes? Com certeza daria para ter visto!). Tinha um descolamento? Tinha. Na verdade, era uma área que não estava colada (tínhamos visto desde o primeiro US com 5 semanas), então, o sangramento não era de lá. Como era uma área pequena, meu médico me recomendou repouso por 30 dias, sem nenhum medicamento. Eu não levantava nem para almoçar, só ia no banheiro. Em 15 dias repetimos o US e já tinha regredido muito! Depois de 30 dias já não tinha mais nada e tive vida normal, fui até liberada para fazer a viagem e comprar o enxoval da ME.

Resolvi compartilhar aqui para caso alguém passe pela mesma situação não se desespere, mantenha a fé e confie no seu médico. Meu médico me disse assim: gravidez conturbada no começo e tranquila no final (assim espero… haha*).

Liz é publicitária, empresária e mãe da Maria Eduarda. Ama blog, decoração, viagens, reciclagem e festas. Apaixonada pelo marido e pelo Johnny Boy, o baby de 4 patas.